sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Por que podemos afirmar que há uma relação visceral entre a filosofia e a história?


Por Odemir Silva
  
Conforme o Professor Dr. Roberto Bolzani Filho que afirma em seu texto que ou “fazemos filosofia” ou então “fazemos história da filosofia”, imagino que não há incompatibilidade entre ambas, a menos que eu queira isso. Destaco a importância da história da filosofia como a filosofia, até porque ambas são de muita relevância para o currículo acadêmico.
Portanto uma se destaca com a “...história da filosofia que começa com os gregos e se define, em principio, como sucessão das filosofias historicamente desenvolvidas”, portanto atualmente é então caracterizada “...por certos tipos de investigação, bastante específicos e complexos, nos quais se tomam certas filosofias como objeto de estudo, para sua interpretação e elucidação”. Compreendo que a história da filosofia trabalha conceitos formados por outros filósofos trazendo a tona respostas para as inquietações do ser.
O outro viés seria a filosofia, que “...vem se mostrando, ao longo dos séculos, uma forma de reflexão e investigação na qual o olhar para sua história tem sido, mais ou menos intensamente, um ato ele mesmo filosófico...” penso eu, que esta não difere da outra até por conta de ambas filosofarem no mesmo assunto, portanto o ato de filosofar irá foi, é, e será importante não só para a história mas para qualquer outra disciplina.
Fazendo um paralelo entre a filosofia e a história da filosofia quase não se percebe diferenças, talvez mínimas mas conforme o professor Roberto o filósofo sempre irá partir para uma resposta dos “porquês”, ou “o que é”, “ou como é” etc... “essas perguntas especiais, que exigem uma reflexão propriamente filosófica, para que se obtenha uma resposta”, o que distingue a filosofia é justamente, imagino, através de reflexões trazer respostas variadas.
Não é diferente da história da filosofia, porém a resposta desta partirá de conceitos já formados de filósofos antigos e apartir de então “...são eles que servem de referência e neles, a princípio, espera o historiados encontrar a resposta desejada, mesmo que esta nem sempre se localize facilmente na superfície desses textos e contenha obscuridades ou ambigüidades suficientes para produzir interpretações diferentes”. Creio que nesse método há o ato de filosofar apartir de certo filósofo, requerendo do pesquisador maior atenção na construção de sua resposta.
Concluo que “...a história da filosofia nos mostra que a filosofia tem, com sua história, relação filosófica”, sendo assim é impossível desconstruir uma da outra mas na atual conjuntura também é difícil, penso eu, fazer compreender que ambas é uma e o que diferencia seria apenas uma questão realmente de compreensão, e se podemos dizer que há “história da filosofia” é porque a filosofia veio primeiro.



quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

A FILOSOFIA NO TEMPO PRESENTE



Por Odemir Silva

Atividade apresentada no curso de Pós Graduação "Especialização em ensino de Filosofia" na UFUSCAR.

Conforme o texto da professora Paula Ramos “A didática está ligada ao currículo”, observo que “De fato, toda essa discussão não é nova e sempre precisaremos passar por ela, uma vez que as questões do ensino de filosofia são, sobretudo, verdadeiros problemas filosóficos”.
Interessante que a professora destaca nesse texto “questões que levam a tratar do ensinar e do aprender, e da filosofia e do filosofar”, porém é importante que a filosofia tenha um lugar de destaque porque me parece que filosofamos mas não se dá a devida importância para a Filosofia.
Surge então a pergunta “O que esperarmos da filosofia?”, como disse a professora, “eis um enorme desafio!”, e nessa corrida todos quantos pararem para pensar nessa pergunta com certeza vão querer uma resposta que convença, sendo que para isso terá que percorrer um longo trecho, penso eu.
Pois “O que queremos com a filosofia”, conforme diz a professora Paula, pode ser uma “questão que nos faz olhar para trás no sentido de ver o que outros já quiseram dela...”, penso eu, que muitos já vem nessa corrida em busca de uma resposta portanto “...inevitavelmente nos lança em um tempo atual, ao tempo presente, àquilo que está sendo, pois é nesse terreno que nos movimentamos”, imagino que apesar de ter outros que nessa corrida sempre vamos nos deparar com o tempo presente, isto é, a corrida estará sempre sendo atualizada.
Isso nos levará a outra pergunta que é “Quais os desafios atuais que a filosofia pode nos ajudar a enfrentar?” e “Como ela pode nos colocar de frente ao presente e como no presente podemos nos colocar de frente para ela?”.
Na primeira pergunta penso que a filosofia pode ajudar-nos à compreensão de uma leitura política, sociológica até porque estamos vivendo dias de conflitos entre nações e isso requer um entendimento um pouco mais amplo e não somente o que a mídia expõe e sim um conhecimento histórico e social dentre esses países. Na segunda imagino que torna-se um pouco complexo quando diz que a filosofia poderá nos colocar de frente ao presente, porque para tal requer uma leitura da realidade sem intermediários que façam essa interpretação e formem seus conceitos e repassem para as pessoas, portanto com uma realidade que não valoriza a Filosofia poderá nos colocar de frente pra ela?, obstante de entender que a experiência também pode ser uma ferramenta para tal leitura, porém penso que ainda é muito vago para responder essa pergunta.
Continuando nos textos da professora Paula Ramos vejo que “Os filósofos frankfurtianos trataram de questões que são mais atuais e decisivas hoje do que na época em que as formularam”, interessante porque derrepente podemos até pensar que não tem sentido estarmos problematizando algum tema hoje porém só saberemos amanhã, pois agora no presente, penso eu, é uma leitura desse momento e certamente servirá para uma leitura no futuro para poder entender os fenômenos que estarão ocorrendo.
Nesse contexto aparece a questão da formação, que sofre com os “processos semiformativos” que está nas sociedades administrativas e “é o verdadeiro obstáculo para uma formação plena”.
E conforme o texto da professora “Nossos tempos, nossos desafios”, vejo que “Os produtos da indústria cultural...simplificam e distorcem a realidade”, e estão principalmente dentro das escolas que seriam um dos destaques dentro da sociedade como grupo formador de opinião, mas que está em constante luta  isto é, “...a própria escola acaba tendo que lutar pela formação em um contexto no qual a semiformação domina a todos”.
Isso leva-nos a ter uma postura diferente em relação a leitura de mundo fazendo com que a todo instante nossas leituras sejam problematizadas, imagino que independente da mídia, escolas e outros grupos de formação de opinião dentro da sociedade se faz necessário estarmos em constante reciclagem, buscando cursos que os atualizem dentro da nossa área que atua, até porque com uma sociedade que está em constante transformação é necessário que os professores estejam atualizados com a realidade.
Imagino que quando deixamos de fazer uma leitura de mundo dentro de um contexto real, também deixamos de contribuir para nossa própria formação, partindo do pressuposto de que não detenho “todo conhecimento”, imagino que levar o aluno ao diálogo dessa realidade fará com que também adquira conhecimento e faça parte da transformação e não simplesmente deixar que tudo aconteça.
Apartir daqui começa o garimpo, pois penso que, ao garimparmos nossos alunos certamente encontraremos pedras preciosas e é lógico que em alguns uma quantidade maior e em outros, outra quantidade menor, isso é natural, mas o importante é que todos tem algo de importante e que só será descoberto na medida em que formos cavando,isto é, garimpando  pois “Acontece, porém, que nos esquecemos da garimpagem necessária para chegar até essa pedra preciosa”, e isso é tudo o que a mídia e grupos que não querem cidadãos pensantes, que filosofam.
O desafio da filosofia nesse tempo presente, penso eu, pode ser o de através da formação superar a deformação, pois através da prática observo que se faz necessário que o professor seja de fato formado no sentido de também entender que sua formação dependerá do outro, até porque o outro fará parte do contexto em que o professor desenvolverá suas práticas pedagógicas.
Creio que a Filosofia tem o papel de fazer com que o aluno venha filosofar com sua realidade, fazendo desse aluno participante da história e não mero telespectador, até porque a mídia tem feito isso, tem trabalhado de tal maneira que as pessoas não querem pensar, isto é, filosofar porque já tem quem faça isso.
Encerrando, imagino que “um dos desafios mais centrais dos nossos tempos, que é descobrir um modo de pensar melhor algum problema, alguma questão”, exige desconectar-se de ilusões e conectar-se à realidade, penso que não é uma tarefa fácil até porque precisamos de veículos de informaçoes para estar informados, porém que nossa leitura de mundo seja apartir de minha formação como ser e nesse contexto enxergar essa realidade apartir do que ela é e não do que dizem pra mim, e então pode ser que tenhamos um caminho para trilharmos.
Odemir Silva

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

O que é Política Pública[1]?



Parte I

Por Odemir Silva[2]



O Professor Oswaldo de Oliveira Santos Jr.[3] em seu texto sobre “Estado contemporâneo e políticas públicas”[4] onde tem o objetivo de iniciar uma discussão sobre Estado a apartir do “pensamento de teóricos fundamentais para o conhecimento do tema” o professor cita Maquiavel, Rousseau e Marx, abrindo uma discussão sobre a “noção de políticas públicas”. E conforme o professor esse artigo pretende elaborar uma análise sobre que o: 

Estado e as políticas públicas é um exercício mais complexo que parece à primeira vista, pois não se trata de definir e conceituar o que é Estado e políticas públicas e de tentar situar num determinado momento histórico e num espaço geográfico tais conceitos. (2013, pág. 92).

Em Maquiavel percebo ter um viés para pensar políticas públicas, pois é o autor de O príncipe que procura justificar que o “...Estado passa a ser analisado como um fenômeno (histórico, jurídico, político e social) complexo, visto em seu contexto” e é importante destacar que esse autor instituirá “os elementos fundamentais da ciência política (2003, pág. 92) que segundo Oliveira a idéia da obra de Maquiavel é revelada, “envolta num contexto de limitações de ordem teórica e analítica, ela foi capaz de produzir um pensamento original para a reflexão dos fenômenos políticos” citando MASIP, 2001 Oliveira destaca que a “força e a solidez do Estado dependerão da sua estrutura e da virtude cívica[5] dos cidadãos”.
Imagino que o Estado terá sempre que dialogar com os cidadãos e isto só será possível com os cidadãos organizados, pois conforme Oliveira que cita CHAUÍ, diz que o:

“Governante para chegar a se manter no poder, ainda que para isso se faça uso da força, contudo sempre buscando ser amado e respeitado pelos seus súditos, jamais provocando o ódio” (CHAUÍ, 2000, p. 396).

Vieram outros pensadores após Maquiavel tais como: Thomas Hobbes, John Locke, Montesquieu e Rousseau que terão um “conjunto de regras que tem por fundamento a natureza humana...”. Porém é em Rousseau que teve “como principio natural, que resultou em contrato social, conforme SANDRONI, 1994; DALARI, 2009”. E Rousseau aponta a solução para “amenizar a força destrutiva de cada indíviduo, sem, contudo, restringir a liberdade individual, já que por esse contrato ele obedece a si mesmo, é consentido (DALARI, 2009)”


 Oliveira afirma que “é por isso que se encontra em Rousseau a afirmativa de que a ordem social (a sociedade) decorre da vontade”, pois “assim, portanto, é a vontade, não a natureza humana, o fundamento da sociedade, conforme DALARI, 2009, p. 16-17”, isto é, a “vontade que produz o assentimento, a razão que legitima a sociedade” e para Rousseau o contrato social “vem solucionar o problema das disputas entre os indivíduos que inviabilizam a vida em sociedade” e que  agora em sociedade, passa a viver de forma soberana em prol da “vontade geral, entendida como a síntese das vontades individuais e, portanto legítima e tendendo sempre para um bem público”.
Para tanto as sociedades atuais são, “...marcadas pela ruptura com a forma de ler e explicar o mundo”, isto mostra que com o passar dos tempos a sociedade interpreta o mundo conforme sua necessidade atual e suas características fundamentais são a “...fragmentação e o subjetivismo” que se desenvolvem na vida da sociedade e os padrões “desaparecem e surgem múltiplas expressões e manifestações que têm impacto direto sobre o sujeito e suas práticas”.
Oliveira destaca que Karl Marx utilizará o termo “sociedade em três dimensões distintas”, isto é, a “sociedade humana ou humanidade socializada” e “tipos historicamente existentes de sociedade (feudal ou capitalista)” e “qualquer sociedade particular (Roma antiga ou França moderna)”, observo que Marx rejeita a idéia de “sociedade Abstrata” pois o ser humano é um “ser social e a sociedade é inseparável da natureza”, imagino que o ser humano é capaz de realizar transformações na natureza através do trabalho, e também transforma as próprias relações humano-sociais, “criando novas relações de trabalho e o desenvolvimento de novas tecnologias ou ampliação das forças produtivas”.
Portanto o Estado surge com a função de “garantir e preservar os interesses da classe que detém a hegemonia da sociedade” e conforme Oliveira “tal ação gera no interior da sociedade um Estado corporativo e uma urbanização que possui um sentido corporativo”. Nesse mesmo pensamento de que o estado administrará de forma que atenda os interesses da “burguesia e legitimar suas práticas de exploração e usurpação da classe trabalhadora” é interessante pensar que conforme Oliveira “...o poder é necessário para o ordenamento da sociedade...esse poder decorre da dominação do mais forte sobre o mais fraco”.
No contexto do Estado contemporâneo destacam-se três elementos a “capacidade militar, a autossuficiência econômica e a especificidade cultural”, que com a quebra do “pé econômico” deixa o estado sob pressão do “mercado global”.


Dessa forma o estado não tem como investir em políticas públicas porque a única ação atribuída aos estados é a de manter o equilíbrio do “orçamento e o policiamento das pressões das populações” que se sentem desapropriadas de suas riquezas, ou seja, “cabe ao Estado o papel de repressor das pressões locais” e o Estado operando em “favor do capital” tornando-se muito mais que “porta-voz das vontades e interesses de uma parcela da sociedade; torna-se também seu melhor fiador”. É dentro desse contexto que “fomentam e articulam as políticas públicas, os conselhos populares”, que surgem como espaços de “articulação e mobilizadores da sociedade para promover o debate e organizar a população”. 
Esses “conselhos populares” estão em diversas partes da história, por exemplo na “Comuna de Paris (1871), nos sovietes na Rússia, e em conselhos operários na Alemanha e na Itália”, no caso do Brasil esses conselhos surgem na “década de 1930”, porém é apartir de 1970/1980 que surge os “conselhos comunitários” que são formados a partir das associações de amigos de bairro e que “foram criados literalmente pelo poder público como forma de controle dos movimentos de moradia e de favelas”. Essas ações acontecem “no período de resistência à ditadura militar e das lutas pela redemocratização”, que termina na “década de 1980 com a época das negociações ou a era dos direitos”. Destaque para a “sociedade de Amigos de Bairros de São Bernardo do Campo, responsável por grande pare da urbanização da cidade nos anos 40 e 50”.[6]
É importante entender que a área de políticas públicas consolidou nos últimos sessenta anos um “corpo teórico próprio, um instrumental analítico útil e um vocabulário voltado para compreensão de fenômenos de natureza político-administrativa”. SECHI, Leonanrdo, 2010.
Portanto Adão Francisco de Oliveira, em seu texto Fronteiras da educação: desigualdades, tecnologias e políticas organizadas por Adão F. de Oliveira, Alex Pizzio e George França, Editora da PUC Goiás, 2010, páginas 93-99, diz que Política pública é uma “expressão que visa definir uma situação específica da política”, portanto essa palavra é de origem grega que significa “politikó”, que seria a “condição de participação da pessoa que é livre nas decisões sobre os rumos da cidade”, e a “polis” que é de origem latina, “publica”, e significa povo. Imagino que é a participação do povo nas decisões públicas.
Portanto esses “conselhos” muitas vezes foram a forma que o “poder público” encontrou para copiar das lideranças populares a “forma direta e independente até verem suas demandas atendidas, tais como saúde, habitação, educação e trabalho”. Esses conselhos transformaram-se tanto em “espaços de resistência e transformação social” como também em formas de “controle das demandas oriundas dos movimentos sociais, muitas vezes silenciados sutilmente”. Transformando-se nos “principais articuladores das políticas públicas no Brasil a partir da Constituição de 1988”.  Assim a política pública pode ser compreendida como uma “série de ações organizadas para atender aos interesses públicos, trata-se de garantir os direitos sociais e coletivos”. 


Portanto as inúmeras “transformações que sofreu nossa sociedade” ao longo do tempo são possíveis identificar que apesar dos conceitos continuarem a defender ou sinalizar a participação do povo, conforme o texto “Políticas Públicas: conceitos e práticas supervisionados” por Brenner Lopes e Jeffersson Ney Amaral e na coordenação de Ricardo Wahrendorff Caldas - Belo Horizonte – Sebrae/MG, 2008 afirma que atualmente “é comum se afirmar que a função do Estado é promover o bem estar social da sociedade” e que para isso é necessário “desenvolver uma série de ações e atuar diretamente em diferentes áreas, tais como saúde, educação, meio ambiente”, sim imagino que é muito mais do que isso e para atingir os resultados pois os “governos se utilizam das Políticas Públicas” que podem ser definidas de várias formas, e apartir de então escolhi para responder essa inquietação alguns conceitos de Políticas públicas:
Para Lopes Políticas públicas é um “conjunto de ações e decisões do governo, voltadas para a solução (ou não) de problemas da sociedade”, observo que são algumas ações e decisões do governo portanto não terá sentido se apenas ter a idéia será necessário executá-la e para isso ira precisa de atores com objetivo de responder as necessidades da sociedade fará o possível para executar as ordens impostas (p.5). E esses atores que segundo Lopes são grupos que:

“Integram o Sistema Político, apresentando reivindicações ou executam ações, que são transformados em políticas”, portanto penso ser pessoas de muita influência na sociedade até mesmo para poder articular com instituições de diversas áreas, pois deverão nas “sociedades contemporâneas ter recursos para atender a todas as demandas da sociedade e seus diversos grupos...” (p. 6).

Oliveira também traz um conceito de qual sentido contemporâneo para o termo Políticas públicas, pois nas últimas décadas se tornou uma “dimensão muito ampla.”
E citando Celina Souza no seu livro Políticas públicas: questões temáticas e de pesquisa, Caderno CRH, Salvador, n. 39, jul./dez. 2003, que “fez um interessante cotejamento sobre algumas principais definições sobre políticas públicas”. Imagino que possa nos dimensionar como entender essa questão.
Segundo Oliveira o autor Mead defini Políticas públicas como um “campo dentro do estudo da política que analisa o governo à luz de grandes questões públicas. (1995)”, penso que nesse conceito é necessário que partimos de assuntos relevantes enquanto há outros que precisam ser discutidos e não é relevante para alguns.
Continuando na perspectiva de Oliveira, ele cita o autor Lynn que defini da seguinte forma; é o “Conjunto específico de ações do governo que irão produzir efeitos específicos. (1980)”, imagino que esse conjunto de ações específicas do governo será que é viável para a sociedade? E efeitos o governo espera que seja produzido?
Já o autor Peters (1986) diz que é a “Soma das atividades dos governos, que agem diretamente ou através de delegação, e que influenciam a vidas dos cidadãos.”, nesse conceito observo que o governo tem algumas ações para serem realizadas, porém ele usará os atores para essa execução que por sua vez irá influenciar a sociedade, partiríamos então de algumas ideologias que seriam implantas em diversos setores da sociedade e que certamente fugiríamos do assunto proposto.
O autor Dye (1984) definiu políticas públicas como “O que o governo escolhe fazer ou não fazer.”, sim, penso eu, o governo tem suas vontades porém creio que os cidadãos também têm o direito de discutir como fazer.
E por fim Laswell (1958) que diz que é “Responder às seguintes questões: quem ganha o quê, por quê e que diferença faz.” Creio que nesse conceito a minha resposta é que a sociedade deve ganhar por quê os que fazem Política (Vereadores, Prefeitos, Deputados Estaduais, Deputados Federais, Governadores, Senadores e Presidente da República) devem servir ao povo no ponto de vista de estar articulando melhorias para todos os setores, e isso faria a diferença numa sociedade justa e que pudesse atender as demandas da atual contemporaneidade.
No texto publicado por Adão Francisco de Oliveira de onde é extraído os conceitos de diversos autores que julgo estar atualizados, Oliveira diz que apesar da contribuição de Souza (2003) entende-se que o melhor termo que o define, por conta de seu caráter didático, é o desenvolvido por Sérgio de Azevedo no seu livro “Políticas públicas: discutindo modelos e alguns problemas de implementação”. In SANTOS JUNIOR, Orlando A. Dos (et. Al.). Políticas públicas e gestões local: programa interdisciplinar de capacitação de conselheiros municipais. Rio de Janeiro: FASE, 2003, a partir da articulação entre as compreensões de Dye (1984) e Lowi (1966)” e que nesse exercício Azevedo (2003, p. 38) definiu que “Políticas pública é tudo o que um governo faz e deixa de fazer, com todos os impacto de suas ações e de suas omissões”, portanto com esse complemento observo que haverá uma conseqüência para as ações tomadas pelo governo.

Uma política pública é uma diretriz elaborada para enfrentar um problema público... é uma orientação à atividade ou à passividade de alguém; as atividades ou passividades decorrentes dessa orientação também fazem parte da política pública; uma política pública possui dois elementos fundamentais: intencionalidade pública e resposta a um problema público; em outras palavras, a razão para o estabelecimento de uma política pública é o tratamento ou a resolução de um problema entendido como coletivamente relevante. (Leonardo p.2).

Poder abordar vários autores e perceber que os conceitos de Políticas públicas variam, porém imagino ter o mesmo viés que é justamente ter a intenção de apartir de detectar problemas na sociedade, o governo da cidade, do estado ou do país buscam soluções que são construídas com a população. Apartir de 1990 iniciou-se com “ações de desmantelamento dessas conquistas” que foram orientadas pela ideologia neoliberal e que impôs um “processo de contrareforma do estado”, e isso dominou o cenário “político e social brasileiro” com uma intensa campanha ideológica querendo convencer a opinião pública sobre “a criminalização dos movimentos sociais” e nesse contexto turbulento o “terceiro setor” que é representado pelas ONGs ganha “força e espaço na sociedade, tornando-se um dos principais proponentes das políticas públicas”. Mas na verdade essas ONGs orientadas pelo neoliberalismo serviu de “amortecedor das pressões sociais e impedindo a organização popular efetiva e, por conseguinte, o exercício de uma cidadania efetivamente transformadora”.



[1] Tema do Trabalho de Conclusão de Curso, 2014, Odemir Silva
[2] Presbítero, Bacharel em Teologia, Capelão Prisional, Licenciado em Ciências Sociais, Pós-Graduando em Especialização em Ensino de Filosofia, Professor de Sociologia e Filosofia na Rede Pública Estadual.
[3] Oswaldo de Oliveira Santos Jr. é Graduado em estudos Sociais/Geografia pelo Centro Acadêmico Faculdades Integradas do Ipiranga (1992) e bacharel em Teologia pela UMESP (2003), Mestre em Ciências da Religião, na área de Práxis Religiosa e Sociedade, pela UMESP.
[4] Guia do Aluno – Do global ao local: tensões e conflitos no espaço urbano /Universidade Metodista de São Paulo. Organização de Lucineida Dovão Praun. 2ed. São Bernardo do campo: Ed. Do Autor, 2013. pg. 92-104.
[5] Para Maquiavel “virtude cívica” correspondia à sabedoria do cidadão, dedicado à melhorias das instituições (MASIP, 2001) e que não pode ser confundida com virtú.
[6] GOHN, P. 90

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

A Tartaruga e a Águia



Por Odemir Silva

Neidson Rodrigues[1]

Você é uma tartaruga ou uma águia? Você é daqueles que, diante das dificuldades, prefere encolher-se na segurança da sua casca? Ou, quem sabe, você pressinta o instinto da águia que o impulsiona a aceitar desafios e ultrapassar intempéries?
Um famoso filósofo alemão do século passado, Frederico Nietzsche, tece uma crítica radical à civilização ocidental, dizendo que ela educa os homens para desenvolverem apenas o instinto da tartaruga. O que quer dizer isso?
A tartaruga é o animal que, diante do perigo, da surpresa, recolhe a cabeça para dentro de sua casca. Anula, assim, todos os seus sentidos e esconde na casca os membros, tentando proteger-se contra o desconhecido. Este é o instinto da tartaruga: defender-se, fechar-se ao mundo, recolher-se para dentro de si mesma e, em conseqüência, nada ver, nada sentir, nada ouvir, nada ameaçar. Formar boas tartarugas parece ter sido o objetivo dos processos educacionais e políticos de educação desenvolvidos no mundo ocidental nos últimos anos. Temos educado os homens para aprenderem a se defender contra todas as ameaças externas, sendo apenas reativos. Ensinamos o espírito da covardia e do medo.
Precisamos assumir o desafio de educar o homem para desenvolver o instinto da águia.
A águia é o animal que voa acima das montanhas, que desenvolve seus sentidos e habilidades, que aguça ouvidos, olhos e competência para ultrapassar os perigos, alcançando vôo acima deles. É capaz, também, de afiar as suas garras para atacar o inimigo, no momento que julgar mais oportuno.  As nossas escolas têm procurado fazer com que nossas crianças se recolham para dentro de si e percam a agressividade – o instinto próprio do homem corajoso, capaz de vencer o perigo que se lhe apresenta.
Temos criado, neste país, uma geração-tartaruga, uma geração medrosa, recolhida para dentro de si. E estamos todos impregnados por esse espírito de tartaruga. Não temos coragem para contestar nossos dirigentes, para nos opor ás suas propostas e criar soluções alternativas. Agimos apenas de maneira reativa, negativa, covarde.
Quando aprenderemos que não precisamos se esconder diante das ameaças, porque todos nós temos capacidade de alçar vôo às alturas, ultrapassando as nuvens carregadas de tempestades e perigo? Temos ensinado isso aos nossos alunos? Ou ensinamos a se arrastarem como vermes, e porque se arrastam como vermes, elas se tornam incapazes de vencer as dificuldades do dia-a-dia.
O que desejamos, afinal, desenvolver em nós (Educadores), nas crianças, pré-adolescente, jovens eadultos?

O instinto da tartaruga ou o espírito das águias?

*Este texto foi compilado e readaptado para melhor aplicação.


“Não estamos preocupados em inventar novas técnicas de ensino, buscar novas teorias ou descobrir novas formas de planejamento para a educação, mas estamos sim preocupados em responder, através do exemplo, dinamismo e comprometimento com a Palavra de Deus, ao apelo que vem da sociedade, de que a EBD cumpra, de maneira completa e decisiva, o seu papel na formação dos cristãos.” [2]


[1] Escritor, Professor, Superintendente Educacional da secretaria de estado da Educação de Minas Gerais e um dos grandes Intelectuais dos anos 80.
[2] Readaptado do mesmo autor do texto “A Tartaruga e a Águia”.

sábado, 9 de novembro de 2013

INICIAÇÃO FILOSÓFICA E O PROFESSOR POLIVALENTE



Por Guilherme Szymanski Ribeiro Gomes

A pertinência da disciplina Filosofia no Ensino Fundamental é uma questão que, há algum tempo, vem sendo objeto de estudo de pesquisadores ligados às áreas de Educação e Filosofia. A partir de tais pesquisas, é possível afirmar o valor formativo da disciplina em questão: ao trabalhar com conteúdos usualmente considerados filosóficos (amor, justiça, o belo, o bem, o certo, entre outros), ajuda a compreender o que é ser humano; ademais, o próprio modo filosófico de pensar pode ser de grande valia, por ser reflexivo, profundo, sistemático e abrangente (cf. Saviani, 1996). O presente texto não tem como objetivo fundamentar a pertinência ou não da disciplina Filosofia no Ensino Fundamental, mas sim, apontar algumas possibilidades para o professor polivalente conduzir suas aulas almejando aquilo que Lorieri (2002) chama de uma iniciação filosófica. Para realizar a supramencionada iniciação filosófica, é imprescindível desenvolver ao menos dois elementos durante as aulas.
O primeiro consiste em dar continuidade e exercitar a natural capacidade da criança de se admirar com o mundo que a cerca, tirando proveito do instintivo desejo dela em querer compreender e dar sentido às coisas. A segunda condição para uma iniciação filosófica compreende o estabelecimento de uma dinâmica essencialmente dialógica como prática rotineira. É comum o uso do diálogo ser considerado pertinente apenas para as disciplinas da área de Humanidades, como se sua aplicação em um processo de investigação em outras áreas do conhecimento não fosse tão frutífera ou adequada. Uma investigação por meio do diálogo, como será visto ao longo desse texto, acaba trazendo uma série de benefícios que extrapolam a simples aquisição de um determinado conteúdo.
Em relação ao primeiro elemento da investigação filosófica, a manutenção da admiração da criança com o mundo, é recomendável um esforço do professor para perceber e enfrentar as questões que os alunos trazem. Não são raras as situações em que as crianças se interessam pelos mesmos problemas que a Filosofia, ao longo da história, vem enfrentando: o que é o certo e o errado, o justo e o injusto, o belo e o feio, o que é o real, o que é o mundo, o que é ser gente, o porquê das regras. E muitas vezes  tais questões problemáticas são postas de lado como se fossem menos importantes que o conteúdo planejado. Ou pior: respostas prontas são oferecidas ao aluno, encerrando qualquer possibilidade do mesmo resolver ou recriar alternativas ao problema. Se o processo educacional almeja, entre outras coisas, formar cidadãos autônomos e responsáveis, é no mínimo contraditório que tal atitude seja levada adiante.
Os filósofos norte-americanos Matthew Lipman e Ann Sharp (1984) afirmam que o deslumbramento das crianças em relação ao mundo é tão profundo que se o mesmo acontecesse com adultos, tal atitude seria qualificada como religiosa. No entanto, essa capacidade vai diminuindo com a chegada da vida adulta, pois os adultos tentam controlar o universo cunhando verdades (científicas, lógicas, matemáticas) - abafando esse saudável impulso ao questionamento.
Nesta perspectiva, a necessidade de adotar uma prática reflexiva em sala de aula que contemple os questionamentos das crianças torna-se algo urgente, uma vez que aquilo que está em jogo não são as convicções intelectuais adquiridas ao longo de uma formação, mas sim, o questionamento do direito que o professor tem de privar o aluno de buscar, por ele mesmo, os sentidos do mundo e, consequentemente, condenar as crianças a um mundo pronto onde os valores já estão estabelecidos, dando a impressão que elas nada podem fazer em relação a isso. Segundo Lorieri (2002, p. 43): “Todos os seres humanos têm o direito de decidir os rumos das suas vidas”. Também crianças e jovens têm esse direito, como cabe-lhes o direito de aprender a dominar o uso das ferramentas intelectuais que lhes possibilitem as decisões.”
Desta forma, a introdução da reflexão acerca das questões trazidas pelos alunos não só ajuda a preservar o deslumbramento da criança com o mundo que a rodeia, como também oferece um ambiente propício ao fomento das ferramentas intelectuais dos discentes, condição para a formação da almejada autonomia de pensamento.
A inserção da prática reflexiva em sala de aula é viabilizada pelo diálogo, o outro elemento imprescindível para a realização de uma iniciação filosófica. É no estabelecimento de uma dinâmica dialógica que diferentes perguntas e respostas são construídas e desconstruídas (dependendo da qualidade dos argumentos que as sustentam), bem como se complementam e se transformam.
Deve-se ressaltar que um diálogo é muito diferente de um bate papo, de um debate ou de uma conversa na qual todos entram em acordo no final da mesma. Em um diálogo não existe o (saudável) descompromisso de um bate papo entre amigos, o qual tem como objetivo apenas o entretenimento dos envolvidos.
Diferentemente do debate, em um diálogo não existe um vencedor, a idéia não é destruir a argumentação do interlocutor, mas sim, apontar eventuais falhas no raciocínio do mesmo e, por conseguinte, colaborar com a construção do conhecimento em questão. Não há garantia que um diálogo termine em um consenso,
a diversidade de idéias na busca coletiva de conhecimento é o motor dessa dinâmica.
O diálogo favorece o cultivo daquilo que Lorieri (2002) cunhou de ferramentas intelectuais e que Lipman (1995) chama de habilidades de pensamento: formular perguntas relevantes, sustentar os argumentos demonstrando o percurso do raciocínio, autocorrigir-se, compreender e criar conceitos, transitar entre as diferentes linguagens mantendo o significado original do conceito em questão, entre outras.
Lipman desenvolveu um programa educacional (Filosofia para Crianças- Educação para o Pensar) que vê na investigação filosófica um caminho para aquisição de um pensamento mais cuidadoso.
Segundo o filósofo norte-americano, a utilização dessa proposta desde o início da vida escolar traria grandes benefícios para os alunos, entre eles, garantir o natural espanto da criança em relação ao mundo – como colocado anteriormente, condição necessária para desencadear qualquer processo reflexivo. Lipman utiliza alguns recursos para viabilizar a preservação do espanto supracitado: novelas filosóficas (histórias nas quais crianças se envolvem em uma série de aventuras levando os alunos a refletirem sobre os dilemas enfrentados pelos personagens); cultivo das já mencionadas habilidades de pensamento (como as de investigação, raciocínio, formação de conceitos e tradução); formação de Comunidades de Investigação. Estas últimas compreendem espaços onde, a partir do diálogo, as questões levantadas pelos alunos passam por um processo de investigação filosófica.
A ideia de Lipman é que o sistema educacional funcionasse baseado em um modelo que se realiza por meio de pesquisas e investigações (um modelo heurístico), pois se não é dada ao aluno a chance de participar do processo investigativo, o resultado será apenas um aluno instruído e não um aluno investigador, como o autor almeja.
Uma vez que se pretende formar um aluno pesquisador e crítico, a introdução de uma iniciação filosófica em sala de aula se torna desejável. E tanto melhor se essa iniciação ocorrer não só no escopo da disciplina Filosofia, mas for igualmente incitada nas propostas dos demais professores. Por estarmos especificamente tratando do Ensino Fundamental I, defende-se que a prática cotidiana do professor polivalente também poderia/deveria ser imbuída deste convite ao filosofar, a um processo de enfrentamento de problemas por meio de uma reflexão radical, metódica, global, crítica e criativa.
As crianças naturalmente trazem problemas para serem enfrentados em sala de aula, e é no afrontamento dessas questões, dentro de um diálogo investigativo (em que determinadas habilidades de pensamento são desenvolvidas), que uma iniciação filosófica se inicia. Há aqui um duplo desafio: não apenas conseguir detectar e desenvolver filosoficamente as questões dos alunos, mas igualmente, realizar as várias conexões existentes entre os espontâneos questionamentos dos alunos e os conteúdos curriculares a serem trabalhados ao longo dos anos letivos.
São inúmeras as possibilidades de relações entre os temas ditos filosóficos (e mencionados anteriormente) e os conteúdos das diferentes disciplinas escolares. Mais um indício de que o modo filosófico de pensar não deve se restringir apenas à aula de Filosofia, mas ser igualmente desenvolvido nas demais disciplinas da matriz curricular.

Referências bibliográficas
LIPMAN, M. O pensar na educação. Tradução de Ann Mary Fighieira Perpétuo.
Petrópolis, Rio de Janeiro: Vozes, 1995.
________; SHARP, A.M. Looking for meaning, Instructional Manual to accompany
Pixie.Montclair, NJ: The First Mountain Foundation, 1984.
LORIERI, M. Filosofia: fundamentos e métodos. Filosofia no ensino fundamental.
São Paulo: Cortez, 2002.
SAVIANI, D. Educação: do senso comum à consciência filosófica. Campinas:
Autores associados, 1996.

Guilherme Szymanski Ribeiro Gomes é mestre em Filosofia pela PUCSP (2006). Professor do Centro Universitário Belas Artes de São Paulo, professor de Filosofia (Ensino Fundamental) da Prima Escola Montessori de São Paulo e do Colégio Ofélia Fonseca. Pertence ao corpo docente do curso de pós-graduação lato sensu Fundamentos de uma Educação para o Pensar (COGEAE/PUC).

Fonte: